Trombose Venosa Profunda,Generalidades ou não…

Posted on 24/03/2009

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Há algum tempo estou pra escrever sobre este tema. Já enchi tanto um colega cirurgião vascular, que ele me mandou um ótimo .pps ( ou keynote? ) via email. O tempo passa e as atribulações do dia-a-dia me fizeram entrar em “letargia blogueira”. Este”keynote” que “upei” tá bombando lá no Slideshare? Mais de 2000 visitas. É… as pessoas estão querendo saber: que katzo é TVP? E mais, o que você – eu? – tem haver com isso. Qual a importância desta enfermidade?
Pessoas morrem disto.Chegam a 70 % as mortes pela TEP – tromboembolia pulmonar – a sua complicação mais temida.
Como fui convidado a fazer parte de uma comissão que norteará os rumos da TVP em nosso hospital, trago, ao meu terapêutico diário, este tema. Vamos lá.
Tenho estes números em mãos: A incidência nos EUA é de quase 160/100 mil habitantes. 2%, no caso de pacientes ortopédicos, podem ter TEP fatal. Um estudo em Minas Gerais traduz em até 15 % a possibilidade de óbito no Brasil por este problema. Bom, mas meu médico sabe tratar, é o cara. Então se assuste: 85% dos médicos de uma instituição podem não saber identificar e/ou tratar esta condição (1 ) . É, a minha cabeça também quase explode ao ler este artigo.
A TVP consiste na formação de trombos, coágulos de sangue, nos membros inferiores. Grande freqüência de localização nas panturrilhas. Estes trombos podem se desprender, atingir o pulmão, dificultar suas trocas gasosas na respiração e aí pimba, UTI pro sujeito. Preocupação pra família e pro médico.
Se você é mulher, tem lá seus trinta anos de idade, sempre tomou suas pílulas e acabou de ter um filho tem que se preocupar. Agora, se você é homem, gordinho, tem antecedentes de tratamento de TVP na família, passou por uma cirurgia grande de quadril recentemente, ah … você … tem que se preocupar também! Existe uma chance enorme de você ter tido uma TVP e nem ter sabido. Ela beira aos 70%. Pois é. Segundo Virchow, qualquer possibilidade de associação de estase, trauma vascular e estados que envolvam a coagulação tá na berlinda.
Destrinchando estas duas histórias, e o que Virchow afirmou em 1856, explicarei melhor:
No primeiro exemplo, o da mulher, o uso de contraceptivos orais associados a um eventual uso do fumo, aumenta e muito a chance da trombose. Os contraceptivos seriam os trombogênicos (2 ) da estória. Eles sozinhos aumentam em até 4 vezes a chance do problema. Se fuma e toma pílula, juntos, têm o risco aumentado em até 15 vezes. É verdade que o uso de contraceptivos de gerações (terceira geração p. ex.) mais recentes, têm diminuído estas chances, mas elas ainda existem. A gestação explicaria a estase ( a pronuncia é “estási”), a diminuição do retorno deste sangue na circulação e o parto, como fator predisponente, seria explicado pela posição de flexão exagerada dos membros inferiores.

Então: resuminho macetoso do caso 1 associando a tríade de Virchow :
1 Estase – gestação
2 Distúrbios de coagulação – contraceptivos orais hormonais
3 Trauma vascular – posicionamento no parto, ato
No segundo exemplo, o homem da terceira idade, sujeito a outras doenças da faixa etária como varicosidades e obesidade podem fazer parte deste grupo de risco. O tempo operatório de uma grande cirurgia de quadril, com variações de posicionamento em mesa operatória concorrem negativamente. Então, resuminho macetoso do segundo exemplo:

1 Estase – repouso prolongado, obesidade, idade
2 Disturbios de Coagulação – herediatariedade
3 Trauma vascular – cimentação protética(discutível) e posicionamento na mesa operatória

Como prevenir isto?

Agindo na tríade de forma medicamentosa, através de anticoagulamntes, e de forma física, a qual chamamos na medicina, de forma mecânica. Drogas que atuam na prevenção e/ou tratamento. Estas existem em diversas apresentações farmacêuticas em nosso meio.E medidas menos “invasivas”, NÃO MENOS EFETIVAS, como exercícios físicos e meias elásticas. As drogas agiriam na bioquímica da coagulação, principalmente, e as medidas físicas na prevenção do trauma vascular e estase. O tratamento será motivo de outros posts, mas eu queria deixar apenas o alerta: discuta com seu médico esta doença. Ela existe e deve ser encarado como problema de saúde pública, pois os gastos trazidos com o tratamento de suas complicações, quando comparados aos da prevenção, justificam a discussão.
Agora eu vou jogar uma formiguinha no açucareiro.Ora, baseado nas informações que passei a vocês: alguma empresa aérea em viagem prolongada já te orientou a fazer exercícios durante o vôo? Alguma já distribuiu algum folhetinho explicando o problema? Pelos dados fornecidos, mais vale fazer aquelas mímicas e explicar o que fazer quando um avião cair na água ou explicar procedimentos simples em como prevenir TVP durante a viagem?Ch. B. F. fica com a segunda, pois a possibilidade que ocorra outro pouso no rio Hudson é próxima do nula, mas quanto a TVP…o que é que você acha?

Vejam este KeyNote do colega Vascular Dr Raimundo Santos,aqui de São Paulo. Perdão pelo desaranjo deste post de 2009.Estou aos poucos rearrumando os posts do antigo Blog do Vox.

Posted in: Saúde