Prontuário Eletrônico no Brasil? – Parte 1

Posted on 22/03/2009

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"Sta Iphigenia - dados vendidos nas calçadas.

Depois de ler os ótimos textos em dois Blogs que respeito, o “Saude em Rede” e “Controvérsias, Dúvidas e Bobagens”, do @jsystems e do @ldiamante, pintou uma dúvida pra minha terapia blogueira: no Brasil onde CDs com CPFs são encontrados em ruas da Sta Iphigênia ( ou é Efigênia? ), onde se grampeia até ministro do Supremo Federal,  isso rola? Respondo no final.

Pois bem, recentemente num bate papo com @jsystems aqui na ZN de Sampa, fiz referência ao comportamento de nós, profissionais médicos, frente às novidades tecnológicas. Já fico feliz quando um consegue anexar um arquivo num e-mail! Não sabem diferenciar um Blog de um Site. Web 2.0…novo carro elétrico? Pois é, exageros à parte, mas vários colegas não estariam preparados para receber esta novidade de bom grado. Em minha recente viagem a minha terra natal, Aracaju, tive conhecimento das dificuldades de implantação no SUS do prontuário eletrônico: os médicos se queixavam até da dificuldade e/ou demora digitar num teclado. Pode? Queriam, porque queriam que seus garranchos – vocês precisam ver os meus! – continuassem  revestindo sua investigação semiológica. Como estes colegas poderiam garantir a confidencialidade destas investigações? A resistência profissional é um ponto negativo.

"Mudar meu estilo?" - Médicos

Muitos colegas não admitem intromissão na inércia, digamos assim, de suas atividades profissionais. Alguém se intrometer em como ele prescreve uma receita? Alguém se intrometer em fazer levantamentos reais de suas prescrições pra farmácia do bairro? Temos uma arrogância paranóica de formação. Como diria um professor meu: “… o médico é o único profissional que manda alguém tirar a roupa e esta o faz…”. Somos formados pra não haver discussão das nossas condutas, a não ser, óbvio, entre pares em congressos e simpósios. Somos formados pra salvaguardar toda e qualquer possibilidade de intervenção da nossa relação com o bem maior: nosso paciente.  A proteção do sigilo profissional é outro ponto negativo.

Agora, o ponto que mais me aterroriza: o “lado negro da força”. O “Império” das seguradoras e convênios médicos. Como eles manipulariam estes dados? Não tenho dúvida alguma que SERIA A FAVOR DELES, em benefício unilateral! Ao se fazer um plano de saúde, como ficaria registrado aquele único pico hipertensivo que você teve em sua vida? Aquele pé chato? Quanto isso encareceria para o paciente na hora de contratá-los? Não tenham duvida de que DESCONTOS NÃO VÃO DAR!

Este tema é longo e outros textos virão aqui (tag: prontuário eletrônico), mas alguém poderia perguntar: katzo, você só listou pontos negativos. Você é contra? Como diria minha professora do primário – olha a terapia blogueira de novo – “Carlinhos, você é muito crítico, mas aqui quem manda sou eu” . Respondo agora: sou  A FAVOR! Isto veio pra ficar. Quem quiser que se adapte. Eu já to fazendo minha parte…

"O Lado Negro da Força": as seguradoras de saúde

… ao menos terapeuticamente, digitando este texto, e afirmando a necessidade de um bom debate na área.


Fui, desculpem, sou crítico por natureza.Agradeço pelas 35500 visitas nestes dois anos.

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